Durante 2 dias em abril, o Brighton Centre, em frente da praia, enche-se de marketers de todo o mundo. Pelo quarto ano consecutivo, tive a oportunidade de participar num dos eventos de SEO mais populares e reputados, com 15 anos de história e excelente ambiente. E o que trouxe comigo?
- Aprendizagens
Existem vários palcos e sessões a decorrer em simultâneo. Este ano, além do BrightonSEO, também esteve a decorrer o Hero Conf, focado em redes sociais. Com tantas opções e especialistas, o difícil é mesmo escolher. Partilho as (minhas) 3 melhores talks:
- Lily Ray – The SEO lifecycle: lessons from the past, strategies for the future
- Marcus Tober – The new world of AI optimisation and how it differs from SEO
- Oluwatobi Folasade Balogun – Maximising content efficiency with minimal environmental impact
Estrela rock’n’roll do SEO, Lily Ray narrou a história do SEO, desde a Idade do Gelo (ou seja, antes dos motores de pesquisa, quando a informação estava congelada em livros e enciclopédias) até aos dias de hoje.
Com referências a práticas enganadoras do SEO que, ao longo dos tempos, foram anuladas ou penalizadas pelas sucessivas atualizações do algoritmo do Google, Ray explicou como “viu a luz” após o Google Penguin, uma atualização que penalizou fortemente os esquemas de links (como links pagos, anchor text rico em palavras-chave).
A partir de 2012, a comunidade SEO começou a partilhar boas práticas e desenvolveu estratégias que beneficiavam não só os sites, mas também os utilizadores. De certa forma, os SEOs tornaram-se aliados dos motores de busca.
E, agora, com os prós e contras da inteligência artificial generativa, estamos a entrar numa nova do SEO. Como podemos otimizar os sites para aparecerem em plataformas como o chatGPT ou o Perplexity? Algumas recomendações de Ray:
- Dados originais, opiniões especializadas e estudos;
- Criação de comunidades nas redes sociais e contributo para fóruns;
- Produção de vídeos curtos para o YouTube, TikTok e IG Reels;
- Adaptação de conteúdo original em vários formatos para redes sociais, vídeos, podcasts, conferências, fóruns e infografias.
“Taking shortcuts rarely works for long-term growth.”
Lily Ray
Por sua vez, a sessão de Marcus Tober começava por questionar: “Is SEO dead or dying?”. O SVP, Head of Enterprise Solutions, do Semrush veio artilhado de dados para demonstrar que, apesar do bom arranque do Perplexity e do Gemini, ainda estão (muito) abaixo da performance mensal de motores de pesquisa como o DuckDuckGo, um site que tem vindo a perder alguma visibilidade. O único player que conseguiu ultrapassá-lo foi o chatGPT que, ainda assim, permanece abaixo do Bing.
Quem se mantém líder incontestável nas pesquisas é o Google e as palavras-chave continuam a ser relevantes para otimizar resultados. Mas, no Google, estão a tornar-se cada vez mais frequentes as AI Overviews, enquanto os featured snippets estão a perder terreno.
Outro dado interessante é a sobreposição das referências entre o SearchGPT e o Google e o Bing, ainda que o SearchGPT favoreça domínios de menor dimensão. De qualquer forma, cada vez mais domínios estão a ser referidos e a receber tráfego a partir do chatGPT, o que representa uma clara oportunidade. Outra curiosidade: os utilizadores do chatGPT são mais novos e os homens estão em maioria.
“Good SEO = Good LLM Results
Stick to the fundamentals and you will continue to win the search”Marcus Tober
Quanto a Oluwatobi Folasade Balogun, pôs-me a pensar na relação entre SEO e sustentabilidade… com dados, muitos dados! Sabiam que:

O custo ambiental daquilo que fazemos online está a aumentar, mas continua invisível para a maioria das pessoas. Balogun demonstrou como é possível aliar a otimização da performance com sustentabilidade, o que pode tornar-se numa vantagem competitiva e fidelizar clientes.
Com uma framework e um scorecard que permite identificar as prioridades e analisar impacto vs. esforço, Balogun destacou ainda o papel da inteligência artificial na criação de conteúdo e como é fundamental usá-la de forma responsável. É giro criar imagens com recurso ao chatGPT, mas por detrás de cada imagem há um custo que desconhecemos.
“Stop the content overload.
Optimise for efficiency & sustainability.”Oluwatobi Folasade Balogun
Além destas, assisti a, pelo menos, mais uma dezena de talks com explicações, casos práticos, partilhas e ferramentas a que vou, sem dúvida, recorrer:
- Does structured data markup influence EEAT? – Jarno van Driel
- How multi-channel content captures intent & EEAT signals to drive growth – Ray Saddiq
- Don’t be blinded by the lighthouse: shift focus to core web vitals and RUM 🙌🏻 – Joshua Clare-Flagg
- JavaScript & SEO in 2025: what technical SEOs need to know – Will Kennard
- Predicting core web vitals impact using Google Sheets – Joao Filipe Pereira
- Crafting tailored winning internal linking strategies – Silvia Martin
- Rendering – what, how, why? – Martin Splitt
- Techno-stress: Navigating the impact of technology on our lives – Anthony M. Amos Mangiacotti
- Turning setbacks into opportunities – Amber Shand
- Burn bright, not out: how to succeed on your terms – Tazmin Suleman
- How to use AI to harness Google API – Jonathon Roberts
- An insider guide to Google Sheets for SEO – Greg Gifford
- Scaling AI on a budget – responsibly! – Emina Demiri-Watson
E, claro, havia muitas mais às quais não consegui assistir! Felizmente as talks são gravadas, é possível comprar os vídeos ou acompanhar o canal no YouTube onde ocasionalmente são divulgadas.
- Networking
É um evento onde é possível conhecer (muitas) pessoas novas, sejam elas pessoas que conhecemos do LinkedIn e cujo trabalho admiramos, sejam comunidades como a Women in Tech SEO ou sejam pessoas com quem nos cruzamos num dos jantares organizados por patrocinadores ou até num live podcast. Uma dica para quem vai ao BrightonSEO é pesquisar que outros eventos acontecem por lá associados ao evento principal.
Em outubro há mais! Estarei a acompanhar, nem que seja à distância dos posts no LinkedIn e dos artigos sobre o evento.

