Somos seres comunicantes


Mas nem sempre nos entendemos. Não dizemos o que realmente queremos. Assumimos que os outros têm obrigação de responder às nossas exigências. Discutimos sem ouvir o outro lado da discussão. Num mundo cada vez mais polarizado, onde as opiniões são muitas vezes extremadas, a Comunicação Não-Violenta é necessária.

O livro de Marshall B. Rosenberg explica o processo da CNV de forma simples, com os exemplos de pessoas reais, das suas dificuldades em expressar junto dos outros as suas necessidades, desejos e preocupações.

Somos perigosos quando não temos consciência da responsabilidade pelos próprios comportamentos, pensamentos e sentimentos.

Marshall B. Rosenberg

Tudo começa com a capacidade de observar o que nos rodeia. Se uma situação nos causa ansiedade ou ira, sabemos identificar e verbalizar o que nos perturba? Gostei especialmente da clareza com que Rosenberg explica a diferença entre estímulo e causa. Culpar e castigar os outros por algo que eu sinto não é a solução para nos ajudar a ultrapassar uma situação difícil.

Temos quatro opções ao ouvir uma mensagem difícil:

  1. Culparmo-nos
  2. Culpar os outros
  3. Perceber os nossos sentimentos e necessidades
  4. Perceber os sentimentos e as necessidades dos outros

Marshall B. Rosenberg

O comportamento dos outros pode despoletar em mim um sentimento negativo. Trata-se de um estímulo. O passo seguinte que me compete em exclusivo a mim mesma é perceber aquilo que sinto e quais as necessidades, valores ou desejos que estão na origem desse sentimento. É um convite à autoreflexão e autoanálise.

Mas a partir do momento em que tomamos consciência do processo, não é possível voltar atrás. Temos agora ao nosso dispor uma ferramenta poderosíssima para comunicar aos outros o que necessitamos, precisamos ou pedimos.

Quanto mais ouvirmos os outros, mais eles nos ouvirão.

Marshall B. Rosenberg

Comunicação Não-Violenta é um dos livros mais urgentes de ler, ensinar e aprender. Tem exercícios que ajudam na reflexão e dicas para lidar com o stress e a ira que, quando desgovernada, pode ameaçar vidas.

Numa altura em que parece que nos desligámos da vida coletiva e usamos a empatia como mera palavra bonita que se escreve num post de rede social, é fundamental desconstruir o que dizemos para descobrir o que realmente precisamos. Só assim conseguiremos comunicar e relacionarmo-nos de forma mais autêntica com os outros.

Comunicação Não-Violenta, de Marshall B. Rosenberg

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